Exceto Bob Faria, que de futebol não entende bulhufas, a grande maioria das pessoas entende que o Atlético está evoluindo a olhos vistos, desde que apresentou aquele jogo de forte personalidade contra os que treinam do lado assoreado da lagoa.
Cresceu principalmente na marcação e na ocupação de espaços ali no meio de campo.
As tramas e tabelas estão surgindo muito mais naturalmente e os toques de primeira fluem de maneira até surpreendente.
Toques de primeira como eu vi hoje só depois de muito tempo de treinamento e assim mesmo com jogadores habilidosos. Mas, em um curto período de trabalho, o time já pratica várias jogadas desse tipo. E como é bonito de ver!
O primeiro tempo foi do Galo. Mesmo quando o placar anotava 0 a 0, a equipe mordia o Uberlândia em todos os setores do campo. A exemplo do que fez contra o Juventus-AC, Luxa instruiu marcação no campo de defesa do Uberlândia. E foi o que os nossos homens de frente fizeram.
O Uberlândia, intimidado dentro de sua própria casa, se encolheu e o Atlético o engoliu sem nem tomar um copo dágua pra facilitar a digestão.
Nos primeiros minutos do segundo tempo, já com 4 a 0, o Atlético manteve a mesma pegada, não deixando o time do Triângulo Mineiro respirar, embora algumas jogadas de preciosismo exagerado já começassem a surgir.
O Uberlândia fez um gol de cabeça, mas àquela altura, o quinto estava mais perto de acontecer do que o segundo deles. Mas eis que Aranha resolve fazer quase a mesma jogada ridícula que fez contra o Barueri, no primeiro turno do campeonato brasileiro do ano passado.
Jogar com os pés é o seu fraco, mas me deu a impressão que ele quis provar para o Luxemburgo que sabe sim jogar com os pés. E deu no que deu. Uma jogada bisonha que resultou no segundo gol do Uberlândia.
E o apagão desceu como uma neblina dos campos ingleses na cabeça dos jogadores. Dos 25 aos 35 minutos, foram 10 minutos dignos de esquecimento.
Até que Junior cruzou, como se fosse com a mão, aquela bola na cabeça do Carlos Alberto. Minutos depois, este mesmo jogador perderia um gol muito mais fácil com o gol totalmente vazio. Coisas do Carlos Alberto.
Depois do quinto gol, o toque de bola ressurgiu para fazer o tempo passar e encerrar a goleada.
Deste jogo, gostaria de fazer algumas considerações:
_ Não me iludo com o jogo de hoje, pois o Galo tem ainda muito a crescer, mas já se vislumbra um jogo coletivo bastante interessante, principalmente em relação à colaboração mútua de todos os jogadores em busca do resultado. Parece que, realmente, Luxemburgo conseguiu convencê-los da força de seu projeto.
_ Não poderia esquecer neste post a atuação fantástica do Obina. Não é pelos gols que o destaco. Tudo bem, meteu 3 golaços, mas o mais importante nesse momento é a sua participação na dinâmica da equipe.
Defende, ataca, corre que nem um alucinado, serve os companheiros e vai em cada bola como se fosse a última da sua vida. Além disso, está demonstrando uma categoria em lançamentos e passes que nós não imaginávamos que ele fosse capaz.
É o típico jogador do Galo que pode se transformar em ídolo da massa da noite para o dia. A simplicidade e humildade sinceras que emanam de sua pessoa são de comover até o mais duro coração. É um dos atletas mais simpáticos que já passaram pelo Galo. Ouso antecipar que Obina será um dos maiores ídolos da torcida do Galo. Maior que Dario. Esperem e verão.
_ Tardelli voltou a jogar o fino da bola, ainda que em uma nova função. Está saindo muito da área e mais longe do gol. E, pouco a pouco, se acostuma com o novo encargo. E olha que as enfiadas de bola do Tardelli são dignas de um camisa 10. Está levando azar nos chutes a gol. Mas uma hora volta a estufar as redes, não tenho dúvida.
_ Cáceres está lento e fora de forma, embora exiba a mesma categoria. Há de continuar a se preparar fisicamente. Gradualmente, se acostumará novamente com a ginga do jogador brasileiro e voltará a ser o xerife que nós conhecemos. E, felizmente, recebeu a tarja de capitão novamente, que é o que ele é: o nosso capitão!
_ Ricardinho jogou muita bola hoje. Olha que o cara, guiado por Luxemburgo, vai nos dar muitas alegrias, hein…
_ Leandro também foi um destaque pela esquerda, embora seja sempre cornetado.
_ Finalmente, se Carini não é melhor que Aranha, que volte mesmo para o Uruguai. Isso nos dará a possibilidade de resolver este problema (que parece infindável), de uma vez por todas. Aranha me dá a impressão de uma aranha tonta toda vez que a bola é alçada na nossa área. E olha que eu torci por ele pra caramba. Mas não posso esconder a verdade. A cada bola que vai nele, é um Deus nos acuda!
_ Gostei muito do Galo, apesar do adversário ser flagrantemente fraco, não há como negar. Porém, os jogadores se empenharam muito, ocuparam todas as faixas do campo na maior parte do jogo e foram merecedores da vitória.
Estamos crescendo. A semente foi plantada e a árvore está, pouco a pouco, se tornando mais frondosa e orgulhosa.
Os incrédulos que nos aguardem!!! Estamos nos fortalecendo a cada dia.
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